| Lógica Matemática
Adaptado de Paulo Marques - Feira de Santana
- BA
(Site do
Autor com outros temas matemáticos)
1 - INTRODUÇÃO
A Lógica Matemática, em síntese, pode ser
considerada como a ciência do raciocínio e da demonstração. Este importante ramo
da Matemática desenvolveu-se no século XIX, sobretudo através das idéias de
George Boole , matemático inglês (1815 - 1864), criador da Álgebra Booleana, que
utiliza símbolos e operações algébricas para representar proposições e
suas inter-relações.
As idéias de Boole tornaram-se a base da Lógica Simbólica, cuja aplicação
estende-se por alguns ramos da eletricidade, da computação e da eletrônica.
A lógica matemática (ou lógica simbólica), trata do estudo das sentenças
declarativas também conhecidas como proposições , as quais devem
satisfazer aos dois princípios fundamentais seguintes:
Princípio do terceiro excluído: uma proposição só pode ser
verdadeira ou falsa , não havendo outra alternativa.
Princípio da não contradição: uma proposição não pode ser ao mesmo
tempo verdadeira e falsa.
Diz-se então que uma proposição verdadeira possui valor lógico V
(verdade) e uma proposição falsa possui valor lógico F (falso). Os
valores lógicos também costumam ser representados por 0 (zero) para proposições
falsas ( 0 ou F) e 1 (um) para proposições verdadeiras ( 1 ou V ).
As proposições são indicadas pelas letras latinas minúsculas: p, q, r, s, t,
u, ...
De acordo com as considerações acima, expressões do tipo, "O dia está bonito"
, "3 + 5" , "x é um número real" , "x + 2 = 7", etc., não são proposições
lógicas, uma vez que não poderemos associar a ela um valor lógico definido
(verdadeiro ou falso).
Exemplificamos a seguir algumas proposições, onde escreveremos ao lado de
cada uma delas, o seu valor lógico V ou F. Poderia ser também 1 ou 0.
p: " a soma dos ângulos internos de um triângulo
é igual a 180º " ( V )
q: " 3 + 5 = 2 " ( F )
r: " 7 + 5 = 12" ( V)
s: " a soma dos ângulos internos de um polígono de n lados é dada por Si
= (n - 2) . 180º " ( V )
t: " O Sol é um planeta" ( F )
w: " Um pentágono é um polígono de dez lados " ( F )
2 - Símbolos utilizados na Lógica Matemática
|
~
|
não |
|
Ù
|
e |
|
Ú
|
ou |
|
®
|
se ... então |
|
«
|
se e somente se |
|
|
|
tal que |
|
Þ
|
implica |
|
Û
|
equivalente |
|
$
|
existe |
|
$
|
|
existe um e somente um |
|
"
|
qualquer que seja |
3 - O Modificador Negação
Dada a proposição p , indicaremos a sua
negação por ~p . (Lê-se " não p " ).
Ex.: p: Três pontos determinam um único plano ( V )
~p: Três pontos não determinam um único plano ( F )
Obs.: duas negações eqüivalem a uma afirmação ou seja, em termos simbólicos:
~(~p) = p .
4 - Operações lógicas
As proposições lógicas podem ser combinadas
através dos operadores lógicos Ù
, Ú ,
® e
« , dando
origem ao que conhecemos como proposições compostas . Assim , sendo p e q
duas proposições simples, poderemos então formar as seguintes proposições
compostas: pÙ
q , pÚ q
, p® q ,
p« q (Os
significados dos símbolos estão indicados na tabela anterior).
Estas proposições compostas recebem designações particulares, conforme veremos a
seguir.
Conjunção: pÙ
q (lê-se "p e q " ).
Disjunção: pÚ
q (lê-se "p ou q ") .
Condicional: p®
q (lê-se "se p então q " ).
Bi-condicional: p«
q ( "p se e somente se q") .
Conhecendo-se os valores lógicos de duas
proposições simples p e q , como determinaremos os valores lógicos das
proposições compostas acima? Ah! caro vestibulando! Isto é conseguido através do
uso da tabela a seguir, também conhecida pelo sugestivo nome de TABELA
VERDADE.
Sejam p e q duas proposições simples, cujos
valores lógicos representaremos por 0 quando falsa (F) e 1 quando verdadeira
(V). Podemos construir a seguinte tabela simplificada:
|
p |
q |
p
Ù
q |
p
Ú
q |
p®
q |
p
«
q |
|
1 |
1 |
1 |
1 |
1 |
1 |
|
1 |
0 |
0 |
1 |
0 |
0 |
|
0 |
1 |
0 |
1 |
1 |
0 |
|
0 |
0 |
0 |
0 |
1 |
1 |
Da tabela acima, infere-se (deduz-se) que:
- a conjunção é verdadeira somente quando ambas
as proposições são verdadeiras.
- a disjunção é falsa somente quando ambas as
proposições são falsas.
- a condicional é falsa somente quando a
primeira proposição é verdadeira e a segunda falsa.
- a bi-condicional é verdadeira somente quando
as proposições possuem valores lógicos iguais.
Ex.: Dadas as proposições simples:
p: O Sol não é uma estrela (valor lógico F ou 0)
q: 3 + 5 = 8 (valor lógico V ou 1)
Temos:
pÙ q tem
valor lógico F (ou 0)
pÚ q tem
valor lógico V (ou 1)
p® q tem
valor lógico V (ou 1)
p« q tem
valor lógico F (ou 0).
Assim, a proposição composta "Se o Sol não é uma
estrela então 3 + 5 = 8" é logicamente verdadeira, não obstante ao aspecto quase
absurdo do contexto da frase!
Não quero lhe assustar, mas o fato das
proposições verdadeiras (valor lógico 1) ou falsas (valor lógico 0), não podem
estar associadas à analogia de que zero (0) pode significar um circuito elétrico
desligado e um (1) pode significar um circuito elétrico ligado? Isto lembra
alguma coisa vinculada aos computadores? Pois é, caros amigos, isto é uma
verdade, e é a base lógica da arquitetura dos computadores!
Seria demais imaginar que a proposição pÙ
q pode ser associada a um circuito série e a proposição pÚ
q a um circuito em paralelo?
Pois, as analogias são válidas e talvez tenham sido elas que mudaram o mundo!
Vimos no texto anterior, a tabela verdade -
reproduzida abaixo - que permite determinar o valor lógico de uma proposição
composta, conhecendo-se os valores lógicos das proposições simples que a
compõem.
|
p |
q |
pÙ
q |
pÚ
q |
p®
q |
p«
q |
|
1 |
1 |
1 |
1 |
1 |
1 |
|
1 |
0 |
0 |
1 |
0 |
0 |
|
0 |
1 |
0 |
1 |
1 |
0 |
|
0 |
0 |
0 |
0 |
1 |
1 |
Nota: valor lógico verdadeiro = 1 ou V
valor lógico falso = 0 ou F
Podemos observar que é muito fácil entender (e o
nosso intelecto admitir) as regras contidas na tabela acima para a conjunção,
disjunção e equivalência, ou seja:
a conjunção "p e q" só é verdadeira quando p e q forem ambas verdadeiras.
A disjunção "p ou q" só é falsa quando p e q forem ambas falsas.
A bi-condicional só e falsa quando p e q possuem valores lógicos opostos.
Quanto à condicional "se p então q" , vamos
analisá-la separadamente, de modo a facilitar o entendimento das regras ali
contidas:
|
p |
q |
p®
q |
|
V |
V |
V |
|
V |
F |
F |
|
F |
V |
V |
|
F |
F |
V |
O raciocínio a seguir, será a base da nossa
análise:
Se é dada uma proposição p e é possível fazer-se um raciocínio válido que nos
conduza a outra proposição q, consideraremos que p®
q é verdadeira.
Visto isso, vamos analisar as quatro possibilidades contidas na tabela acima:
1º) p é V e q é V: somente através de um
raciocínio válido é possível partir de uma proposição verdadeira para outra
também verdadeira. Logo, p®
q é verdadeira.
2º) p é V e q é F: não existe raciocínio válido
capaz de , partindo-se de uma proposição verdadeira chegar-se a uma proposição
falsa. Logo, neste caso, p®
q é falsa.
3º) p é F e q é V: É possível partir de uma
proposição falsa e chegar-se através de um raciocínio válido, a uma proposição
verdadeira. Isto é um pouco difícil de entender, mas acompanhe o exemplo abaixo:
Sejam as proposições:
p: 10 = 5 (valor lógico F)
q: 15 = 15 (valor lógico V)
Através de um raciocínio válido, vamos mostrar que é possível a partir de p
(falsa), chegar a q(verdadeira). Com efeito, se 10 = 5, então podemos dizer que
5 = 10. Somando membro a membro estas igualdades vem: 10+5 = 5+10 e portanto 15
= 15. Portanto a partir de p FALSA foi possível, através de um raciocínio válido
chegar-se a q VERDADEIRA. Logo, p®
q é verdadeira
4º) p é F e q é F: É possível partir de uma
proposição falsa e chegar-se através de um raciocínio válido, a uma proposição
também falsa. Senão vejamos:
Sejam as proposições:
p: 10 = 5 (valor lógico F)
q: 19 = 9 (valor lógico F)
Através de um raciocínio válido, vamos mostrar
que é possível a partir de p FALSA, chegarmos a q também FALSA. Com efeito, se
10 = 5, então, subtraindo uma unidade em cada membro, obteremos 9 = 4. Somando
agora membro a membro estas duas igualdades, obtemos 10+9 = 5+4 e portanto 19 =
9, que é a proposição q dada. Logo, p®
q é verdadeira (V).
Exercícios:
1) Sendo p uma proposição verdadeira e q uma
proposição falsa, qual o valor lógico da
proposição composta r: (pÙ
~ q)
® q ?
Solução: Teremos,
substituindo os valores lógicos dados: p = V , q = F e ~q = V .
r: (V Ù
V) ® F ,
logo, pelas tabelas acima vem: r: V ®
F e portanto r é falsa. Valor lógico F ou 0.
2) Qual das afirmações abaixo é falsa?
a) se Marte é um planeta então 3 = 7 - 4.
b)
a soma de dois números pares é um número par e 72
= 49.
c)
3 = 5 se e somente se o urso é um animal
invertebrado.
d)
se 102 = 100 então todo número inteiro é
natural.
e)
2 = 32 - 7 ou a Terra é plana.
Analisando os valores lógicos das proposições
simples envolvidas e usando-se as tabelas anteriores, concluiremos que apenas a
proposição do item (d) é falsa, uma vez que 102 = 100 é V e "todo
número inteiro é natural" é F ( o número negativo -3 por exemplo é inteiro, mas
não é natural) . Portanto, temos V ®
F , que sabemos ser falsa. (Veja a segunda linha da tabela verdade acima).
Resumo da Teoria
1 - Tautologias e Contradições
Considere a proposição composta s: (pÙ
q) ® (pÚ
q) onde p e q são proposições simples
lógicas quaisquer. Vamos construir a tabela verdade da proposição s :
Considerando-se o que já foi visto até aqui, teremos:
|
p |
q |
pÙ
q |
pÚ
q |
(pÙ
q) ®
(pÚ
q) |
|
V |
V |
V |
V |
V |
|
V |
F |
F |
V |
V |
|
F |
V |
F |
V |
V |
|
F |
F |
F |
F |
V |
Observe que quaisquer que sejam os valores
lógicos das proposições simples p e q, a proposição composta s é sempre
logicamente verdadeira. Dizemos então que s é uma TAUTOLOGIA.
Trazendo isto para a linguagem comum, considere as proposições: p: O Sol é um
planeta
(valor lógico falso - F) e q: A Terra é um planeta plano (valor lógico falso -
F), podemos concluir que a proposição composta "Se
o Sol é um planeta e
a Terra é um planeta plano
então o Sol é um planeta
ou
a Terra é um planeta plano" é uma proposição logicamente verdadeira.
Opostamente, se ao construirmos uma tabela
verdade para uma proposição composta, verificarmos que ela é sempre falsa,
diremos que ela é uma CONTRADIÇÃO.
Ex.: A proposição composta t: p Ù
~p é uma contradição, senão vejamos:
NOTA: Se uma proposição composta
é formada por n proposições simples, a sua tabela verdade possuirá 2n
linhas.
Ex.: Construa a tabela verdade da proposição composta t: (pÙ
q) Ú r
Teremos:
|
p |
q |
r |
(pÙ
q) |
(pÙ
q) Ú
r |
|
V |
V |
V |
V |
V |
|
V |
V |
F |
V |
V |
|
V |
F |
V |
F |
V |
|
V |
F |
F |
F |
F |
|
F |
V |
V |
F |
V |
|
F |
V |
F |
F |
F |
|
F |
F |
V |
F |
V |
|
F |
F |
F |
F |
F |
Observe que a proposição acima não é Tautologia
nem Contradição.
Apresentaremos a seguir, exemplos de TAUTOLOGIAS,
as quais você poderá verifica-las, simplesmente construindo as respectivas
tabelas verdades:
Sendo p e q duas proposições simples quaisquer,
podemos dizer que as seguintes proposições compostas, são TAUTOLOGIAS:
1) (pÙ
q) ® p
2)
p ®
(pÚ q)
3)
[pÙ
(p® q)]
® q (esta
tautologia recebe o nome particular de "modus ponens")
4) [(p®
q) Ù ~q]
® ~p
(esta tautologia recebe o nome particular de "modus tollens")
Você deverá construir as tabelas verdades para as
proposições compostas acima e comprovar que elas realmente são tautologias, ou
seja, na última coluna da tabela verdade teremos V V V V.
NOTAS:
a) as tautologias acima são também conhecidas como regras de inferência.
b) como uma tautologia é sempre verdadeira, podemos concluir que a negação de
uma tautologia é sempre falsa, ou seja, uma contradição.
2 - Álgebra das proposições
Sejam p , q e r três proposições simples
quaisquer, v uma proposição verdadeira e f uma proposição falsa. São válidas as
seguintes propriedades:
a) Leis idempotentes
pÙ p = p
pÚ p = p
b) Leis comutativas
pÙ
q = qÙ p
pÚ q = qÚ
p
c) Leis de identidade
p Ù
v = p
p Ù f = f
p Ú v = v
p Ú f = p
d) Leis complementares
~(~p) = p (duas negações eqüivalem a uma
afirmação)
p Ù ~p =
f
p Ú ~p =
v
~v = f
~f = v
e)Leis associativas
(pÙ q)Ù
r = pÙ (qÙ
r)
(pÚ q)Ú
r = pÚ (qÚ
r)
f) Leis distributivas
pÙ
(qÚ r) =
(pÙ q)
Ú (pÙ
r)
pÚ (qÙ
r) = (pÚ
q) Ù (pÚ
r)
g) Leis de Augustus de Morgan
~(pÙ
q) = ~p Ú
~q
~(pÚ q) =
~p Ù ~q
h) Negação da condicional
~(p® q) =
pÙ ~q
Todas as propriedades acima podem ser verificadas
com a construção das tabelas verdades.
Vamos exemplificar verificando a propriedade do item (h):
Para isto, vamos construir as tabelas verdades de ~(p®
q) e de pÙ
~q :
Tabela1:
|
p |
q |
p®
q |
~(p®
q) |
|
V |
V |
V |
F |
|
V |
F |
F |
V |
|
F |
V |
V |
F |
|
F |
F |
V |
F |
Tabela 2:
|
p |
q |
~q |
pÙ
~q |
|
V |
V |
F |
F |
|
V |
F |
V |
V |
|
F |
V |
F |
F |
|
F |
F |
V |
F |
Observando as últimas colunas das tabelas
verdades 1 e 2 , percebemos que elas são iguais, ou seja, ambas apresentam a
seqüência F V F F , o que significa que ~(p®
q) = pÙ
~q .
Exs.:
1) Qual a negação da proposição composta: "Eu estudo e aprendo"?
Do item (g) acima, concluímos que a negação procurada é: "Eu não estudo ou não
aprendo".
2) Qual a negação da proposição "O Brasil é um
país ou a Bahia é um estado" ?
Do item (g) acima, concluímos que a negação
é: "O Brasil não é um país e a Bahia não é um estado".
3) Qual a negação da proposição: "Se eu estudo
então eu aprendo" ?
Conforme a propriedade do item (h) acima,
concluímos facilmente que a negação procurada é: "Eu estudo e não aprendo"
Dado um conjunto de proposições P1, P2 , P3
, ... , Pn , Q (simples ou compostas) chama-se ARGUMENTO à proposição
composta S : ( P1 Ù
P2 Ù P3
Ù ...
Ù Pn )
® Q .
As proposições P1, P2 , P3 , ... , Pn
são denominadas PREMISSAS e a proposição Q é denominada CONCLUSÃO.
Costuma-se representar um argumento, também da forma simplificada:
P1, P2 , P3 , ... , Pn
\ Q , onde o símbolo
\ significa "logo" ou "de onde se deduz " .
O argumento S : ( P1 Ù
P2 Ù P3
Ù ...
Ù Pn )
® Q será
VÁLIDO se e somente se a proposição composta
s : ( P1 Ù
P2 Ù P3
Ù ...
Ù Pn )
® Q for uma
TAUTOLOGIA, ou seja, a última coluna da sua TABELA VERDADE só contiver o valor
lógico verdadeiro (V). Caso contrário, o argumento não será válido e será
denominado FALÁCIA.
Consideremos o seguinte exemplo de argumento:
Se chove então faz
frio.
Não chove,
Logo, não faz frio.
Este argumento é válido? Vejamos:
Sejam as proposições:
p: " chove "
q: " faz frio "
Claro que a proposição "não chove" será ~p (a negação de p) e "não faz frio"
será ~q (a negação de q). Poderemos então escrever o argumento na forma
simbólica indicada acima:
s: [(p ® q)
Ù ~p]
® ~q
Para saber se o argumento apresentado é válido ou não, teremos que construir a
tabela verdade da proposição composta
s: [(p ® q)
Ù ~p]
® ~q.
|
p |
q |
~p |
~q |
p®
q |
[(p
® q)
Ù ~p |
s |
|
V |
V |
F |
F |
V |
F |
V |
|
V |
F |
F |
V |
F |
F |
V |
|
F |
V |
V |
F |
V |
V |
F |
|
F |
F |
V |
V |
V |
V |
V |
Como a proposição composta
s: [(p ® q)
Ù ~p]
® ~q não é uma
Tautologia (apareceu um F na terceira linha da última coluna), concluímos que o
argumento dado não é válido. O argumento é, portanto, uma FALÁCIA.
Vamos agora considerar o seguinte argumento:
Se chove então faz frio.
Não faz frio.
Logo, não chove.
Este argumento é válido? Vejamos:
Sejam as proposições:
p: " chove "
q: " faz frio "
Claro que a proposição "não chove" será ~p (a negação de p) e "não faz frio"
será ~q (a negação de q). Poderemos então escrever o argumento na forma
simbólica:
s: [(p ® q)
Ù ~q]
® ~p
Para saber se o argumento apresentado é válido ou não, teremos que construir a
tabela verdade da proposição composta
s: [(p ® q)
Ù ~q]
® ~p .
|
p |
q |
~p |
~q |
p
® q |
[(p
® q)
Ù ~q |
s |
|
V |
V |
F |
F |
V |
F |
V |
|
V |
F |
F |
V |
F |
F |
V |
|
F |
V |
V |
F |
V |
F |
V |
|
F |
F |
V |
V |
V |
V |
V |
Como a proposição composta
s: [(p ® q)
Ù ~q]
® ~p é uma Tautologia
(só aparece V na última coluna), concluímos que o argumento dado é válido.
Este tipo de problema se complica um pouco quando o número de premissas aumenta,
pois com duas premissas, a tabela verdade conterá 22 = 4 linhas, com
três premissas, a tabela verdade conterá 23 = 8 linhas e assim
sucessivamente. Com quatro premissas, a tabela verdade conterá 24 =
16 linhas; imagine 10 premissas!
A tabela verdade conteria 210 = 1024 linhas. Aí, só os computadores
resolveriam ...
Considere outro exemplo, agora com 3 premissas:
Se o jardim não é florido então o gato mia.
Se o jardim é florido então o passarinho não canta.
O passarinho canta.
Logo, o jardim é florido e o gato mia.
Sejam as proposições:
p: " o jardim não é florido"
q: " o gato mia"
r: " o pássaro canta"
Poderemos escrever o argumento na seguinte forma simbólica:
s : [(p ® q)
Ù (~ p
® ~ r)
Ù r ]
® ( ~ p
Ù q )
Teremos, com base nos nossos conhecimentos anteriores:
|
p |
q |
r |
~ r |
~p
Ù q |
p
® q |
~p |
~p
® ~ r |
[(p
® q)
Ù (~p
® ~ r)
Ù ( ~ r ) |
s |
|
V |
V |
V |
F |
F |
V |
F |
V |
F |
V |
|
V |
V |
F |
V |
F |
V |
F |
V |
V |
F |
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V |
F |
V |
F |
F |
F |
F |
V |
F |
V |
|
V |
F |
F |
V |
F |
F |
F |
V |
F |
V |
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F |
V |
V |
F |
V |
V |
V |
F |
F |
V |
|
F |
V |
F |
V |
V |
V |
V |
V |
V |
V |
|
F |
F |
V |
F |
F |
V |
V |
F |
F |
V |
|
F |
F |
F |
V |
F |
V |
V |
V |
V |
F |
Como o argumento s não é uma
Tautologia (apareceu F na última coluna) , o argumento
não é válido.
Notas:
1 – o entendimento da tabela verdade acima,
requer muita atenção.
2 – neste tipo de exercício, não devemos usar a intuição, somente. A construção
da tabela verdade é uma necessidade imperiosa, embora possa parecer muito
trabalhosa.
3 – recomendamos enfaticamente, imprimir o arquivo e analisar criteriosamente a
tabela verdade.
Agora resolva estes:
1 - Se o jardim não é florido então o gato mia.
O gato não mia.
Logo, o jardim é florido.
Resposta: o argumento é válido.
Veja no diagrama abaixo que onde o gato não
mia é sempre florido

2 - Se o jardim não é florido então o gato não mia.
O jardim é florido.
Logo, o gato mia.
Resposta: o argumento não é válido.
Veja no diagrama abaixo que existe jardim sem
gato que mia

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